Pelo visto, estou de volta 17 de setembro de 2026

Algo incomum aconteceu com o tráfego do nosso site nesta manhã.

Poucos minutos antes das 7h, centenas de visitantes de todo o mundo chegaram de repente ao catálogo de plugins da Stillwell Audio. Depois de investigar um pouco, descobri o motivo: havia surgido uma distribuição warez do catálogo atual para Windows, descrita como “modificada” e acompanhada do que era anunciado como um keygen.

Pois é. Pelo visto, estou de volta.

Foi um ano cheio por aqui: a reformulação do catálogo para a Versão 4, novos produtos, suporte a Linux e CLAP, além de muito trabalho menos visível para levar esses plugins adiante. Suponho que voltar a chamar a atenção da comunidade warez seja uma medida totalmente extraoficial de que recuperamos relevância. Não pedi por isso, mas aí está.

Vale esclarecer um ponto técnico: ninguém quebrou o Ed25519 da noite para o dia.

Os arquivos de licença atuais da Stillwell Audio são assinados digitalmente, com material de assinatura separado para cada produto. Produzir uma licença válida para uma versão oficial sem modificações exigiria a chave privada de assinatura correspondente. Chamar um executável desconhecido de “keygen” não faz esse problema criptográfico desaparecer.

A alternativa habitual é consideravelmente menos impressionante: modificar o plugin para que ele deixe de verificar as licenças corretamente e então gerar dados com estrutura de licença que só o binário modificado aceita. Isso não é um keygen para o produto oficial. É um patch acompanhado de outro executável, cujo comportamento você está sendo convidado a aceitar de olhos fechados.

Os arquivos oficiais contam com camadas adicionais de confiança.

Nossos instaladores para Windows são assinados com um certificado EV. Se alguém modificar ou reempacotar um deles, essa assinatura válida deixa de ser válida. Se o Windows mostrar um editor desconhecido, um aviso inesperado do SmartScreen ou instruções para desativar o software de segurança, pare. Você não está mais executando o instalador que nós distribuímos.

O mesmo problema básico existe no macOS: alterar um plugin invalida sua assinatura de código e o coloca fora da cadeia de distribuição assinada e notarizada que o Gatekeeper avalia.

AAX é um caso à parte. Os plugins AAX são assinados por meio da PACE, e o Pro Tools verifica essa assinatura. Se o binário for modificado, a assinatura PACE deixa de ser válida, então o Pro Tools deve se recusar a carregá-lo. A simples presença de um arquivo .aaxplugin em um pacote compactado não é evidência de que a versão modificada funciona no Pro Tools.

Não baixei nem analisei essa distribuição e não vou rodar um executável desconhecido só para satisfazer minha curiosidade. Você também não deveria.

Keygens e cracks são lugares especialmente convenientes para esconder malware. Quem executa um deles já espera alertas do antivírus, comportamentos estranhos e instruções para enfraquecer as proteções de segurança. Isso torna esse formato um cavalo de Troia quase perfeito. Um plugin modificado também roda dentro da sua DAW, com a sua conta de usuário; você está confiando à pessoa que o alterou tudo o que essa conta pode acessar.

Não há motivo prático para correr esse risco só para avaliar nossos plugins. Todas as versões de avaliação da Stillwell Audio são totalmente funcionais e discretas. Não há servidores de ativação, serviço de autorização em segundo plano nem limitações no caminho do áudio. Baixe o software diretamente de nós, use-o corretamente e remova-o normalmente se não for para você. Não é preciso saber computação forense para desinstalá-lo.

A pirataria é frustrante? Claro. A Stillwell Audio é uma pequena empresa independente, e as compras pagam pelo desenvolvimento, pela manutenção, pelo suporte e pelas atualizações gratuitas por trás do software. Mas não sou ingênuo a ponto de achar que um sermão vai fazer alguém mudar de ideia.

Então vou deixar assim: fico feliz que as pessoas tenham percebido que a Stillwell Audio está ativa novamente. Preferiria que ninguém entregasse o controle do computador do seu estúdio a um executável misterioso no processo.

Pelo visto, estou de volta. Agora, de volta ao trabalho.